Título Original: Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans
Diretor: Werner Herzog
Roteiro: William M. Finkelstein, baseado em roteiro de Zoë Lund, Abel Ferrara, Paul Calderon e Victor Argo.
"This is a government of law, not of men." Eis o lema que aparece na fachada do palácio de justiça de Port of Call, Nova Orleans. Não obstante, o que Werner Herzog busca mostrar em seu mais recente filme é exatamente que a lei está a mercê dos homens, suas paixões, interesses e vícios, e estes, por sua vez, nas mãos da fortuna, do acaso.
E é o acaso que leva o protagonista, o detetive Terence Macdonald ao posto de tenente. Ao salvar um prisioneiro do afogamento, ganha a promoção, mas também um problema nas costas que acaba o levando ao mundo das drogas, primeiramente a partir de analgésicos para as dores crônicas, e depois da cocaína, crack e tudo o mais o que lhe caí nas mãos. A interpretação alucinante de Nicolas Cage dá o tom corretíssimo à frenética rotina do tenente, que renega toda a moralidade e ética profissional no exercício de sua função, sempre sob efeito das drogas e em busca de mais. A aplicação da lei, o exercício da justiça é submetida às implicações de seu agente investigador, que por sua vez é refém dos caminhos sem rumo que o vício lhe coloca e aos seus próximos.
Assim, é pelos caminhos tortuosos da vida dos homens, e não pelo caminho reto e ideal da função policial, que a ordem e justiça se realiza em Port of Call, ou em qualquer outro lugar. Logo, acima do governo da lei, impera o dos homens, e principalmente o que há de irracional em suas relações.
