Filme: Um olhar do paraíso (The lovely bones)
Diretor: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, baseados em livro de Alice Sebold
País: Nova Zelândia/Reino Unido/EUA
Ano: 2009
Não sou um teórico de cinema. Sou apenas um fã incondicional da sétima arte. E é exatamente nessa condição que me ponho a escrever sobre filmes. Como não sou teórico, me sinto limitado em reflexões sobre questões mais técnicas, estéticas, semióticas, etc. O que me sobra, portanto, livre do compromissos mais convencionais dos especialistas no métier, é a opinião do leigo, talvez do historiador, que se coloca como formador de opinião.
Para escrever sobre "Um olhar do paraíso", vou falar sobre algo primário, que está no cerne da motivação que me leva a sair de casa, pegar um ônibus, e ir ao cinema. Este básico consiste simplesmente em assistir uma boa estória. Desta feita, o básico que um cineasta deve fazer, para me agradar, é utilizar cada fotograma de imagem e som que ele possui e construir uma narrativa a contento. Por vezes, nem ligo para a riqueza ou pobreza de estilo, não é incomum uma comédia romântica boba, com um enredo simples, me emocionar. É óbvio que os grandes do cinema vão além da simples tarefa de contar uma estória, vão fundo na utilização dos planos, do som, etc. Porém, há sempre uma narrativa implícita, com um sentido que force mais ou menos a reflexão do espectador.
Em tempos de tecnologia digital, 3D, as formas de se contar uma estória se multiplicaram. Porém, às vezes esse excesso de possibilidades parece atrapalhar os autores no trabalho do conteúdo narrativo. É o que ocorre com "Um olhar do paraíso". Fascinado pelas novas gerações de efeitos visuais desde a trilogia "Senhor dos Anéis", Peter Jackson errou feio a mão. Faz da caracterização do "paraíso" do título um amálgama confuso de efeitos que, além de muito entediantes, atravanca e confunde o desenvolvimento da narrativa, deixando-a inclusive num plano secundário. Estraga assim um argumento com grande potencial dramático e um elenco de grande qualidade, que ante a megalomania imagética do diretor, fazem o que podem, o que infelizmente não é o suficiente para salvar o filme.
